• Patrícia e Rafaela

CRÍTICA: A Onda

A palavra autoritarismo soa distante, no entanto, regimes autoritários muitas vezes estão “escondidos” no fantasia de democracia


Para essa crítica, vamos começar do básico. O que é Autoritarismo? Vamos lá! É basicamente um formato de governo que têm como verdade absoluta à autoridade, obediência do maior nível e uma mesma ideologia política. Parte da oposição à liberdade individual, ou seja, qualquer pensamento contrário é visto como ameaça.


Se tinha dúvidas, já não tem mais, agora, acredito que não seja necessário citar governos autoritários aqui, imagino que já tenha alguns nomes bem claros em sua cabeça… ou deveria! Vale dizer aqui que o termo “autoritaritarismo” não são exclusivos do nazi-fascismo, “personagens” autoritários, muitas vezes, se escondem em democracias.

Um dos medos sentidos e vividos no mundo contemporâneo, é a volta de um governo autoritário. O filme “A Onda”, parte dessa premissa e, traz MUITO BEM a visualização de como surgem movimentos/governos autoritários! Roteiro de fácil entendimento, justamente para abranger o maior público possível, é preciso dar visibilidade para que não aconteça novamente. (se já não está acontecendo…)


Filme alemão de 2008, conta a história de um professor que leciona a disciplina de autocracia e, se dá conta de que a prática muitas vezes ensina melhor do que a teoria, então propõe a formação de um sistema ditatorial em suas aulas! O longa-metragem, na verdade, é um remake de um curta-metragem estadunidense e, é baseado em uma acontecimento real de 1967.


Vamos lá, temos a figura de um líder “agregador”, o professor, os alunos o reconhecem como comandante e passam a adotar uma certa forma de agir e falar, não somente no âmbito escolar, mas em suas relações familiares e pessoais. Vestem a camisa, no sentido metafórico e no sentido literal, camisa social branca, uma marca do grupo como identificação, que os distingue dos demais e cria uma imagem única.


Esse sentimento de união que cresce entre eles, acaba por empoderar os personagens, pois se sentem fortes em relação aos outros (perigoso, né?). No roteiro de Dennis Gansel e Peter thorwarth, os elementos característicos que envolvem o autoritarismo, são mostrados de forma clara, desde o uniforme até a saudação, com muita maestria.

O filme mostra como a necessidade dos indivíduos de pertencer a um grupo, de ser parte integrante da sociedade, colabora para que pessoas que se sentem excluídas aceitem discursos totalitários. Quanto mais pessoas tiverem que não se sentem parte da sociedade, mais facilmente eles serão atraídas por discursos que dividem a sociedade entre: NÓS E ELES! Para quem se sente fora da sociedade, se torna sedutor a ideia de integrar à uma comunidade e passar a ser valorizado.


No filme temos o exemplo dos primeiros alunos que irão aderir, são os mais radicais no movimento e, antes disso, se sentiam excluídos. Líder autoritário usa artifícios simplistas e envolventes, com diálogo construído para atacar e, seus seguidores, seguem por se sentir de certa forma, isolado, com a crença de que o que estão defendendo é “DO BEM”.


Mas nem só de bons roteiros e direção esse filme é feito, a montagem contribui muito para contar a história seguindo o propósito escolhido. Com cortes secos, rápidos e inesperados, dá um ritmo ideal para a narrativa. Outro aspecto técnico, são as escolhas do diretor de fotografia e diretor, com muitos contra-plongée ao filmar o líder autoritário de baixo para cima, justamente, para dar a ideia de superioridade - não é novidade o uso da técnica, no entanto, FUNCIONA e alerta para um sistema de governo que já tirou a vida de MUITAS pessoas! - O filme acaba e deixa a melhor mensagem possível: A facilidade que existe, mesmo nos dias contemporâneos, de um modelo autoritário de cunho fascista retornar.


Beijos, Patrícia L.

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