• Patrícia e Rafaela

CRÍTICA DOCUMENTÁRIO - Indústria Americana

Ganhador do Oscar 2020 na categoria de Documentário, “Indústria Americana” retrata choque de cultura entre China e Estados Unidos


Disponível na Netflix, o documentário dos veteranos Julia Reichert e Steven Bognar, traz a história da chegada de uma empresa chinesa, Fuyao, em 2014, em Dayton, Ohio. Lá, anos anteriores, em 2008, havia a antiga fábrica da General Motors, mas foi fechada deixando uma massa de pessoas desempregadas na região. O registro é de 2015 e 2017, quando a Fuyao, empresa de fabricação de vidros automotivos, chega e contrata americanos para trabalharem ao lado e sob gerência de chineses. Com o selo de aprovação de Barack Obama e Michelle Obama, o documentário levou a melhor no Oscar deste ano.

Aquela história que vai muito além do que vemos no dia a dia sobre comércio e globalização, chineses e americanos trabalhando lado a lado. O que aconteceu? choque de cultura para começar, mas o principal, ideias fundamentalmente diferentes sobre o TRABALHO. Podemos dizer que é facilmente um documentário que trata como bandeira a questão da consciência de classe. Alguns dizem que se demonstra neutro, um “bate e assopra” dos dois lados, no entanto, é possível perceber o rumo narrativo.


Em um primeiro momento vemos pessoas e funcionários felizes com a chegada da fábrica, emprego para muita gente, no entanto, o processo quando inserido, desanda rapidamente. Há uma cena em que os americanos visitam a empresa Fuyao na China, e se espantam com a falta de segurança e proteção aos trabalhadores, nos EUA, não é diferente. Afinal, o capitalismo tá ali, firme e forte gritando: LUCRO! Outro aspecto interessante no documentário é a respeito dos arcos narrativos quanto aos personagens que aparecem na história, são apresentados e fechados de forma concisa e com impacto, seja por meio de demissões (pois quiserem criar um sindicato… não deu certo) ou por uma internação causada por acidente no trabalho. Já falei da falta de segurança, não é?

Normalmente documentários se apropriam de fórmulas, uma delas, é o uso (às vezes excessivo) de off, aquela voz que conta a história, basicamente. Aqui, a obra é praticamente toda narrada e contada por meio de montagem com imagens captadas, temos fala de personagens e a “costura”. São falas de personagens dali e daqui, da China e dos EUA, causa a impressão de neutralidade na abordagem e mensagem, com se não houvesse intervenção da produção. Ao assistir, tive esse sentimento por momentos, mas com um pouco mais de absorsão da experiência, fica nítido que existe um “lado”. Aliás, eu aqui, escrevendo, estou pendendo para um lado, percebe? O famoso mito da imparcialidade. Como se mostrar neutro frente a exploração de trabalhadores, e falta de segurança no trabalho? Não, os chineses não são os “vilões” propriamente dito, e não to aqui para falar bem de americano. A tal globalização, o tal capitalismo e divergências culturais.


Documentário muito bem feito e com história bem contada, te prende e te leva a refletir. Deveria ter ganho o Oscar neste ano? Era realmente o melhor? Olha… de qualquer forma, ele se encontra disponível na Netflix e vale a pena ser assistido e aproveitar a experiência completa, com doses de pensamento e possível conversa com quem está ao lado, assistindo contigo, sobre as problemáticas que encontramos ali. São muitas! Essa é uma das funções primordiais em um documentário, trazer visibilidade e olhos ao tema, para depois, reflexão e, porque não, uma mudança de valores e atitude?


Já sabem o que ver na gigante do Streaming essa semana :)


Beijos, Patrícia L.



21 visualizações

@2018 Sétima Sala - Todos os direitos reservados

  • Facebook - Círculo Branco
  • Branca ícone do YouTube
  • Branca Ícone Instagram