• Patrícia e Rafaela

CRÍTICA: Homeland

Uma reflexão sobre a brutalidade beligerante das agências secretas e governos federais que se manteve atual e relevante durante os seus nove anos de duração


A premiada série do canal Showtime, criada por Howard Gordon e Alex Gansa e lançada em 2011, com seus altos e baixos teve 8 temporadas, totalizando 96 episódios e encerrou em 26 de abril de 2020. Inspirada na série Israelense “Prisioneiros de guerra”, mesmo nome do episódio final da série americana, apenas a premissa inicial tem em comum com a versão original.

Inicialmente retratava a história de Carrie Mathison (Claire Daines) e Nicholas Brody (Damien Lewis). Brody é um sargento dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos que desapareceu na guerra e foi localizado como prisioneiro oito anos após. A série começa quando Brody retorna para casa como um herói de guerra. Carrie uma agente da CIA recebe a informação de que haveria um prisioneiro americano que mudou de lado, Carrie suspeita de Brody. Ninguém acredita em Carrie que consegue estabelecer conexões diferentes de todo mundo. Carrie possui transtorno bipolar e esconde da agência. Outra relação relevante na vida de Carrie é com Saul Berenson (Mandy Patinkin) seu mentor na CIA.


Grande parte do que tornou a série excelente foi a interação de Carrie e Brody, a tensão sobre a lealdade do sargento, a capacidade de falar de terrorismo sem maniqueísmos ou visões unidimensionais e a complexidade da personagem Carrie em seu conflito com a doença, o trabalho e a família.


SPOILER a partir daqui.

As três primeiras temporadas, que focam no relacionamento de Brody e Carrie, seguem uma mesma linha narrativa, assim, com a morte de Brody no final da terceira temporada muitos se perguntaram para onde iria a série e a verdade, é que Homeland mostrou ser capaz de se reinventar de forma brilhante. Cada temporada aborda questões relevantes para o mundo contemporâneo e sempre com uma perspectiva questionadora.


Com excelentes atuações, personagens profundos e complexos, em alguns momentos se perdeu no roteiro mas, sempre manteve uma grande qualidade técnica, capaz de transitar entre os dramas da vida da Carrie para a ação no mundo de espionagem.


Mas se tem um consenso sobre Homeland é a força da interpretação de Claire Danes no personagem de Carrie Mathison. Ela pode te irritar na maior parte da temporada mas é a força motriz que segurou e desenvolveu a história durante as suas oito temporadas. A capacidade da atriz de transitar entre a mania, a sanidade, a paixão e a genialidade é incrível. E a abordagem sobre a convivência com o transtorno bipolar é muito realista e relevante. Outro aspecto muito bem trabalhado na série é a difícil relação com a família, especialmente após o nascimento da filha. A sétima temporada foi ótima para mostrar a dificuldade em aceitar que ela é o trabalho dela, e que naquele mundo ela só faria mal para a filha, o ato de amor de deixá-la é forte e envolvente.

A quarta temporada, primeira sem o Brody, apresenta questões relevantes sobre as ações da CIA e os limites daquilo que é aceitável em nome da guerra ao terror. Os eventos desta temporada levam Carrie a deixar a CIA e se unir ao setor privado (5ª temporada).


Na sexta temporada foi anunciado que a série já teria sido renovada para a sétima e a oitava que seria a última. E é a partir daqui que vemos Carrie trabalhando com a presidente eleita, construindo uma proposta de paz no Afeganistão, de limites aos abusos perpetrados pelas agências de espionagem e segurança nacional no país. De outro lado, vemos Carrie lutando para manter a guarda de sua filha.


Na sétima temporada, a melhor na minha opinião, a série aborda os reflexos das fake news e o seu uso político, inserindo uma questão extremamente atual e relevante no cenário internacional. Também como não poderia deixar de ser, o longo conflito com a Rússia vem a tona. O último episódio dessa temporada é um resumo de Carrie, uma mulher que transita entre a loucura e a genialidade, extremamente patriota e capaz de tudo para conseguir aquilo que acredita, com uma capacidade de se conectar e manipular os outros assustadora.

A oitava temporada, leva a série de volta às suas origens, de alguma forma a relação com Saul é a única que se manteve e é quem ela precisa trair para salvar o mundo mais uma vez. E o caminho que Carrie percorre para de alguma forma virar o Brody, traindo seu país, para na verdade salvá-lo, é muito interessante. É raro séries boa com finais dignos de sua trajetória e foi uma grata surpresa que Homeland não trouxe o típico final feliz, mas uma reviravolta e o início de uma nova fase na vida da Carrie que faz jus a quem elas (Carrie e Homeland) são.


Beijos, Rafaela L.


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