• Patrícia e Rafaela

CRÍTICA: Era uma Vez Em... Hollywood

Atualizado: Mai 15

Todo Tarantino é um acontecimento, agradando ou não

Nunca é fácil escrever sobre Tarantino e seus filmes. Quando você começa a estudar cinema passa a ficar criterioso e um tanto quanto chato! Assistir novamente a um filme se torna uma experiência completamente diferente.

Experiência! Palavra chave que diz muito sobre Tarantino e seus filmes. E como era de se esperar, Era uma Vez Em… Hollywood, não decepciona. Concorrendo em 10 categorias no Oscar 2020, dentre elas: Melhor filme, Diretor, Roteiro Original e Fotografia. O diretor, roteirista e ator de alguns de seus filmes, é considerado um “cineasta autor”, isso acontece quando o cineasta possui estilos, técnicas e abordagens próprias, que se repetem em seus filmes, até que chega um momento em que o espectador já reconhece o diretor do longa-metragem, antes mesmo de ver quem o fez. Segundo Quentin Tarantino, este será o penúltimo trabalho de sua carreira.

Era uma Vez Em… Hollywood é um filme sem premissa de acontecimento, em Django Livre, por exemplo, vivemos a vingança, mas em seu novo longa-metragem o objetivo é justamente não ter essa premissa de justificativa. Talvez por isso o roteiro possa vir a soar, 2 horas e 40, de enrolação e prolongamento.


Provavelmente não agradará todo o seu público, e é nessa virtude que Tarantino merece aplausos. Uma obra de arte pode soar estranha em um primeiro momento, mas ela democratiza e faz jus a tal sétima arte. É um filme de um apaixonado por cinema, que fala sobre cinema, fazendo cinema. Numa indústria que segue a mesma receita, Era Uma Vez Em… Hollywood, é entretenimento de uma forma diferente e original.

Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2019, o longa-metragem traz diálogos que se pautam em ser altamente realista. Nessas conversas vemos hesitações e uma quebra da moralidade que não parece politicamente incorreta. Ele traz aquela violência primitiva em um roteiro tão real. O resultado torna o filme um caso de ame ou odeie.

Era uma Vez… Em Hollywood é uma experiência mise-en-scène, tudo o que acontece no filme é sistematicamente pensado. O diretor fez um trabalho imersivo e com muitos cuidados para representar o período escolhido. Vemos uma séria preocupação nos detalhes, como o modo de falar ou dirigir, por exemplo, se inspirando em filmes da década de 1960 e como eles expressavam a vida em Los Angeles. Como já mencionei, é um filme de alguém apaixonado por cinema que traz gêneros como: western spaghetti às produções B italianas.


Sabemos bem quem são Leonardo Dicaprio e Brad Pitt, mas no decorrer do filme é fácil esquecer dos atores e se deixar emergir pela história dos personagens. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um ator que normalmente faz papéis de herói nos bangue-bangues americanos, e Cliff Booth (Brad Pitt), seu fiel dublê e amigo. Eles acabam se perdendo nos novos sistema de estúdios. Da mesma forma, vemos surgir a carreira de Sharon Tate (Margot Robbie). É na história de Sharon Tate que sentimos a mensagem que o diretor quis passar, o celebrante de uma era que lamenta o encerramento desta, com o destino real de Tate.


Como as cenas são filmadas, a colagem das imagens, os figurinos, os diálogos, tudo impressiona e diz muito sobre uma experiência e virtude inenarrável de Tarantino. Se eu amei o filme? não sei, ainda prefiro outros de sua filmografia, mas esse, é uma obra indiscutivelmente bem feita.


Afinal, todo Tarantino é um acontecimento, gostando ou não.


Beijos, Patrícia L.


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