• Patrícia e Rafaela

MARÇO, MÊS DAS MULHERES: 6 filmes para conhecer

Atualizado: Mai 30

Tá fácil não ser mulher nesse país.


Em meio à tantas dificuldades, violência contra a mulher, feminicídio, desigualdade salarial e machismo estrutural na sociedade! O dia 8 de março, foi o dia alusivo ao dia internacional das mulheres, mas preferimos pensar que podemos discutir sobre o papel da mulher no mundo, o mês inteiro.


Fizemos uma lista com filmes pensando em nós, mulheres!


Retrato de uma jovem em chamas (2019 – França)

Direção e roteiro: Céline Sciamma

Avaliação: IMDb: 8.2 / Metracritic: 95


Sinopse: O filme narra o desenvolvimento da relação entre uma pintora (Marianne) e a filha da Condessa que a contrata em segredo para pintar a jovem (Heloise). O intuito da Condessa é enviar o quadro para um possível pretendente que se casara se aprovar a aparência da moça. Assim, a pintora passa por alguém contratada para servir de companhia para caminhadas, uma vez que Heloise não deseja a pintura por não desejar o casamento e a noite, com os detalhes que recorda, Marianne pinta o retrato encomendado.


Motivo da indicação: A sutiliza, naturalidade e beleza plástica com que a narrativa constrói o nascimento e desenvolvimento do encantamento, admiração e paixão entre as jovens é importantíssimo para enquanto, aspecto de representatividade, tornar natural para uma sociedade homofóbica o relacionamento homoafetivo, a final todas as formas de amor são lindas, únicas e especiais. Mas o maior mérito do longa, é que a sensibilidade presente em todos os detalhes, pensados e expressados a partir, pelo e para o feminino é calma, forte, vulnerável, delicada e intensa, assim, mais do que um retrato de Heloise, o retrato da jovem em chamas é o interior, nu e cru de uma mulher presa a um papel social previamente estipulado a ela, sem controle sobre suas ações, seu corpo e sua vida, no caso toda mulher que vive(u) em uma sociedade patriarcal.

Adoráveis mulheres (2019 – USA)

Direção e roteiro: Greta Gerwig

Avaliação: IMDBb: 8 / Metacritic: 91


Sinopse: Adaptação da obra Mulherzinha de Louisa May Alcott, narra a história das irmãs March durante a Guerra Civil Americana. No roteiro da premiada roteirista, que também dirigiu e escreveu “Lady bird”, somos apresentadas as histórias das quatro irmãs já adultas e por meio de flashbacks, conhecemos a vida das irmãs ainda jovens morando com a mãe enquanto seu pai esteve ausente lutando na guerra.


Motivo da indicação: Pode parecer um filme de época sobre problemas já superados, mas a sensibilidade da diretora e roteirista repagina esses conflitos para uma perspectiva atual. Construindo personagens complexas, fortes, protagonistas de suas próprias histórias, o longa narra conflitos, dificuldades e relações de sororidade entre mulheres vivendo em mundo excludente. Problemas acerca de independência financeira, matrimônio, construção de uma carreira profissional são apresentados na obra, nos inserindo na tentativa das personagens de se construir enquanto sujeito próprio em um mundo masculino. E para quem deseja maiores detalhes é só conferir a crítica do filme postada aqui no blog.

A vida invisível (2019 – Brasil)

Direção e co-roteirista: Karim Aiinouz

Avaliação: IMDBb: 8.1 / Metacritic: 82


Sinopse: Em “A Vida Invisível“, Guida (Julia Stockler) é uma jovem ousada e desafiadora. Quer ser dona de sua vida, tomar suas próprias decisões. Eurídice (Carol Duarte) é tímida e ingênua. Segue as regras impostas pelo pai com resignação. Essas duas irmãs, embora com temperamentos diferentes, têm um laço muito forte uma com a outra. Após Guida sair de casa atrás de um grande amor, o pai a expulsa da família e conta várias mentiras para que as irmãs não se vejam mais. Porém, as duas passam a vida inteira pensando uma na outra e fazendo esforços para se reencontrar.


Motivo da indicação: Ao fazer um retrato do machismo estrutural, o longa “A Vida Invisível” vai na direção certa, mostrando como não existe saída para as mulheres dentro do patriarcado. Karim Aiinouz não economiza no discurso político, trazendo a todo momento reivindicações feministas com temas como a desconstrução do romantismo da maternidade e questionamentos sobre diversidade sexual.

As golpistas (2019 – USA)

Direção e roteiro: Lorena Scafaria

Avaliação: IMDBb: 6.4 / Metacritic: 79


Sinopse: O longa narra a história de dançarinas em uma casa de strip que tinham homens de Wall Street como principais clientes e os esquemas criados por elas para se sustentar após a crise de 2008. Uma história sobre strippers que desloca o foco do objeto de desejos masculinos, para nos contar uma história de mulheres fortes e solidárias, que trabalham dançando e explorando a sexualidade, mas que ao final só podem contar com elas mesmas.


Motivo da indicação: Em primeiro lugar, a visão feminina sobre a narrativa das personagens, as humaniza e empodera sendo sem sombra de dúvidas, o principal motivo para assistir essa obra. Ainda, por meio de diversas relações objetificadas e/ou abusivas, a história nos mostra, que em um mundo patriarcal na perspectiva masculina, a mulher enquanto posse, existe para satisfazer desejos masculinos. Por fim, as relações de sororidade, solidariedade e amizade que se desenvolvem na formação de uma família afetiva totalmente feminina é enriquecedor para pensar a relação entre mulheres para além da competição.

Frozen II (2019 – USA)

Direção: Jennifer Lee e Chris Buck / roteiro: Jennifer Lee

Avaliação: IMDBb: 7.1 / Metacritic: 64


Sinopse: A história começa na infância quando Anna e Elsa descobrem uma história sobre o pai, e essa história vem à tona quando adultas. No presente, tudo acontece em uma floresta de elementos como: ar, fogo, terra e água. As irmãs da Disney precisam resolver um acontecimento do passado para salvar Arendelle. Ok! Você vai ver por aí muita gente falando sobre como algumas coisas que funcionaram no primeiro filme se repetem no segundo, de fato, concordo. Mas, não quer dizer que é errado se apropriar de elementos que deram certo, além de que não tira o mérito da mensagem que está por trás da história. O filme tem identidade, humor e drama na medida certa!


Motivo da indicação: Empoderar, dar escolhas e permitir que as expectativas sejam quebradas, muitas vezes impostas pela família e sociedade. Vemos isso na animação! Não se trata de um filme que gira em torno de um romance com príncipe encantado, mas de uma animação que fala sobre relacionamento entre irmãs, empoderamento das personagens femininas e autoconhecimento. Elsa, por meio do visual que progride ao longo do filme se liberta do papel em que lhe foi imposto. Se torna mais livre. Enquanto Anna, enfrenta desafios internos para que possa se conhecer.

O Escândalo (2019 – USA)

Direção: Jay Roach / roteiro: Charles Randolph

Avaliação: IMDBb: 6.8 / Metacritic: 64


Sinopse: O filme narra os acontecimentos reais que levaram à demissão de Roger Ailes (John Lithgow, Pet Sematary), CEO da Fox News, após a denúncia de abuso sexual por várias funcionárias. O Escândalo é contado a partir de 3 mulheres: Megyn Kelly (Charlize Theron, Mad Max – Estrada da Fúria) e Gretchen Carlson (Nicole Kidman, Aquaman), jornalistas reais; e o de Kayla Pospisil (Margot Robbie, Esquadrão Suicida), personagem inventada para a história.


Motivo da indicação: O Escândalo fala sobre mulheres que são reféns do silêncio por medo de perderem o emprego, mesmo enfrentando machismo e assédio sexual no trabalho. O Escândalo não nos deixa esquecer que o sistema ainda é dominado pelos interesses de homens brancos poderosos, e frente a isso, é preciso ter força e coragem!

Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa (2020 – USA)

Direção: Cathy Yan / roteiro: Christina Hodson

Avaliação: IMDBb: 6.6 / Metacritic: 60


Sinopse: Aqui eu deveria falar sobre a sinopse do filme, mas decidi que não vou afinal, todos conhecem a Arlequina. Tá! Aves de Rapina, não conta a história que todos conhecem, pelo contrário, o longa se inicia com o término do relacionamento de Arlequina com o famoso Coringa. Escrito por Christina Hodson, vemos o afastamento a imagem sexualizada de Margot Robbie em “Esquadrão Suicida”, trazendo um novo olhar de mulheres sobre empoderamento feminino, à frente do filme.


Motivo da indicação: O filme trata sobre relacionamento abusivo, onde Arlequina se via em posição submissa ao Coringa e finalmente passa a desfrutar de uma autonomia. Aves de Rapina é um filme sobre mulheres que possuem grandes diferenças entre si, mas há um inimigo em comum mais urgente, o mundo masculino e tóxico de Gotham. Desta forma, acaba surgindo assim uma sororidade muito natural. Quebrando a quarta parede ao interagir com o público, esta é uma história da protagonista para nós.

É isso! Esperamos que gostem e estamos abertas a sugestões e comentários. :)


#girlpower


Beijos, Patrícia e Rafaela L.

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