• Patrícia e Rafaela

ORGULHO LGBTQIA+: 8 filmes para se emocionar e refletir

Não existe nada mais egoísta e desumano que impedir alguém de ser quem é e amar quem ama. Assim, o mês em que se se celebra o orgulho da diversidade é lindo, especial e representa uma necessária resistência ao ódio e à intolerância.


A celebração do Orgulho LGBTQIA+ ocorre no dia 28 de junho e se estende ao longo do mês. É nesse período que ocorre a famosa Parada do Orgulho LGBTQIA+. Em 1969, quando relações não heteronormativas eram criminalizadas nos Estados Unidos, a batida policial no bar Stonewall em 28 de junho teve reação dos presentes e uma série de protestos nos dias seguintes. Um ano após, em 1 de julho de 1970, foi realizada a primeira parada do Orgulho LGBT+ em memória ao acontecido. Desde então, a data tem sido símbolo de uma luta extremamente urgente.

Se os poucos direitos conquistados pela comunidade são recentes e não contemplados no mundo inteiro, com o avanço da intolerância disseminada pela extrema direita e pelo fundamentalismo religioso estes encontram-se escancaradamente ameaçados.


O discurso homofóbico, que se esconde atrás de uma pseudo liberdade de expressão, persegue e impede que pessoas sejam quem são, com tranquilidade e amparo social e legal. A possibilidade de casar, adotar, doar sangue, andar de mãos dadas e até mesmo usar banheiros públicos em um mundo que impõe uma não existente binaridade, exclui e segrega. Porém, a violência física, com alto índice de assassinatos decorrentes do ódio infundado é alarmante e desesperador.


Portanto, a naturalização de todas as formas de amor e das múltiplas possibilidades de identidade dentro de um imaginário coletivo ajuda na construção da aceitação desta realidade, que diga se de passagem é natural. É aqui que o cinema, ao retratar identidades e amores fora da heteronormatividade cisgênera é tão rico e essencial.


Por isso, no dia de hoje, trouxemos uma lista com 8 filmes belos e complexos para vocês. Apesar de constar entre nossos filmes favoritos, obras como “Moonlight”, “Carol” e “Retratos de uma jovem em chamas” só não estão nessa lista porque já indicamos algumas vezes aqui no blog e decidimos trazer longas diferentes, mas se ainda não assistiu, assista, são obras primas com imensa sensibilidade.


Uma mulher fantástica

Direção e roteiro: Sebastían Lelio

Ano e país: 2017 - Chile

Avaliação: IMDb: 7.2 / Metracritic: 86


Acho que o principal sobre o premiado longa chileno foi dar visibilidade a mulher trans e espaço para uma atriz trans poder brilhar. Daniela Veiga interpreta Mariana Vidal, que ao perder seu namorado, precisa reafirmar sua identidade e lidar com os preconceitos e empecilhos impostos pelas pessoas a sua volta.

O mau exemplo de Cameron Post

Direção e roteiro: Desiree Akhavan

Ano e país: 2018 - Estados Unidos e Reino Unido

Avaliação: IMDb: 6.6 / Metracritic: 69

Disponível: Telecine Play


Baseado no livro de Emily M. Danforth, conta a história de Cameron, uma jovem que mantém uma relação secreta com sua amiga mas tem seu segredo descoberto na noite do baile de formatura e é enviada por sua mãe de criação para um centro de conversão gay, instituições presentes e legalizadas em vários estados nos Estados Unidos. Sem estereótipos, a fotografía de Ashley Connor, direção de Desiree Akhavan e atuação de Chloë Grace Moretz criam um ambiente intimista e com muita franqueza choca o espectador ao mostrar com clareza o sofrimento enfrentado pelos jovens ali residentes que se encontram em patente abuso psicológico.

120 batimentos por minuto

Direção e roteiro: Robin Campillo

Ano e país: 2017 - França

Avaliação: IMDb: 7.4 / Metracritic: 84

Disponível: Globo play

O filme retrata a atuação da ACT Up (Aids Coalition to Unleash Power) nos anos 90, uma organização internacional em apoio a soropositivos. O filme consegue mostrar a luta política do movimento LGBTQIA+ em um espaço diferente dos Estados Unidos, ao mesmo tempo consegue apresentar de forma complexa e profunda as relações entre a indústria farmacêutica e as comunidades LGBTQIA+ após o surto da AIDS nos anos 80. Mas o principal é a sensibilidade ao retratar o medo, esperança e luta de pessoas que travam uma batalha diária pela sobrevivência.

Hoje eu quero voltar sozinho

Direção e roteiro: Daniel Ribeiro

Ano e país: 2014 - Brasil

Avaliação: IMDb: 7.9 / Metracritic:71

Disponível: Netflix


Com certa ingenuidade, o diretor nos apresenta os dilemas na vida de Leonardo (Ghilherme Lobo) um garoto cego que cansado do protecionismo de seus pais e do bullying na escola começa a pensar em realizar intercâmbio. Muito próximo de sua melhor amiga Giovana (Tess Amorim), sua vida começa a mudar com a chegada do novo aluno Gabriel (Fábio Audi). Um filme muito belo, que grande sensibilidade retrata uma linda história de amor, descoberta e aceitação.

Tomboy

Direção e roteiro: Céline Sciamma

Ano e país: 2011 - França

Avaliação: IMDb: 7,4 / Metracritic: 74

Disponível: Telecine Play


Da mesma diretora e roteirista do brilhante “Retratos de uma jovem em chamas”, em “Tomboy”, Céline Sciamma já mostrava a sua capacidade de criar personagens profundos e complexos em meio a uma trama bela e triste ao retratar o peso de viver uma sociedade que impõe papéis sociais de gênero. Tomboy, termo pejorativo utilizado para designar meninas que compartilham hábitos e comportamentos tipicamente designados ao universo da masculinidade, apresenta Laurie uma menina de 10 anos que se veste de acordo com aquilo que a sociedade determina pertencer ao gênero masculino e ao se mudar para um novo condomínio conhece Lisa e se apresenta como Mickael. De forma muito sensível e sutil o filme apresenta um momento de descoberta e o problema de se limitar comportamentos e habilidades de uma pessoa a partir do seu gênero.

Rafiki

Direção e roteiro: Wanuri Kahlu

Ano e país: 2018 - Quênia

Avaliação: IMDb: 6,6 / Metracritic: 68

Disponível: Telecine Play


O filme dirigido e estrelado por mulheres, que foi censurado em seu país de origem, Quênia, retrata a amizade que se transforma em amor entre duas jovens de famílias políticas rivais, que precisam escolher entre desafiar as leis de seu país que não permite a sua relação ou se distanciar em prol da segurança, tendo que enfrentar o preconceito de uma sociedade conservadora.

Me chame pelo seu nome

Direção: Luca Guadagnino

Roteiro: James Ivory e André Aciman

Ano e país: 2017 - Itália e França

Avaliação: IMDb: 7.9 / Metracritic:93

Disponível: Telecine Play


O filho de uma família americana com ascendência italiana, Elio (Timothée Chalamet), está curtindo o verão na casa de seus pais, como de costume, na Itália. Mas, temos uma reviravolta quando Oliver (Armie Hammer) decide passar uns dias visitando como hóspede na casa, um acadêmico que veio contribuir para a pesquisa que o pai de Elio trabalha. Esse filme é sensível, esteticamente belo, com excelente atuações e fotografia impecável.

Azul é a cor mais quente

Direção e roteiro: Abdellatif Kechiche

Ano e país: 2013- França, Bélgica e Espanha

Avaliação: IMDb: 7.7 / Metracritic: 88

Disponível: Telecine Play


Baseado no romance de Julie Maroh, o longa conta a história de Adéle uma adolescente tímida parte de uma família conservadora que descobre desejos e sentimentos diferentes após conhecer Emma uma jovem pintora de cabelos azuis. Um importante filme na busca de representatividade do amor homoafetivo. Com uma narração realista e uma construção visual bela e simbólica O azul é a cor mais quente é uma bela história de amor, liberdade e descobertas.


Beijos, Patrícia e Rafaela L.


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