• Patrícia e Rafaela

OSCAR 2020: Jojo Rabbit

Atualizado: Mai 30

Uma sátira ao nazismo, narrada a partir de um jovem nacionalista, que não poderia ser mais atual.



Jojo Rabbit ou Jojo Coelho, é muito mais do que uma fofa e intrigante sátira centrada no nazismo. Filme do diretor e roteirista Taika Waititi, concorre ao Oscar 2020 em 6 categorias incluindo Melhor Filme e Roteiro Adaptado.



O longa-metragem narra a história de Jojo Betzler, brilhantemente interpretado pelo iniciante Roman Griffin Davis, um menino vivendo durante o final da segunda guerra mundial.


Tendo perdido a irmã e com o pai lutando na Itália, Jojo vive com sua mãe Rosie Betzler (Scarlett Johansson, indicada ao Oscar 2020 na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante), impregnado e alienado pelas ideias promovidas pela propaganda nazista, o jovem é um verdadeiro nacionalista, ávido para lutar na guerra em prol de seu ídolo Adolf Hitler (Taika Waititi). o amigo imaginário de Jojo, personagem construído na medida certa para acompanhar as transições do nosso protagonista e da realidade alemã.


Jojo, conta ainda com seu melhor amigo Yorki (Archie Yates), também nacionalista e seu mentor um Capitão nazista (Sam Rockwell) propositalmente caricato, mas que nos surpreende ao mostrar outras camadas.


Tudo muda na vida de Jojo quando encontra em uma parede falsa de sua casa, a garota judia Elsa Korr (Thomasin McKenzie). É justamente nas conversas entre Jojo e Elsa que temos os aspectos que considero mais rico na construção do roteiro.



Ambientado de forma propositalmente exagerada e caricata, beirando o absurdo, construído com personagens quase ridículos na sua aparente unidimensionalidade, o filme nos transporta para um dos momentos mais tristes e horríveis da história da humanidade, sem que nos sintamos de fato lá.


As cores fortes e vibrantes, as risadas ocasionais que até nos deixa um pouco culpados de soltar, trazem um ar leve, lúdico, algo como vislumbrar um conto de fadas. Nesse sentido, nos remete um pouco, mesmo que com narrativas que mostra aspectos opostos, ao incrível filme “A vida é bela”, que assim como Jojo recebeu elogios e críticas, dividindo público e crítica especializada.


Outro aspecto que merece ser comentado é o trabalho de Direção de Arte e Figurino, que concorrem ao Oscar 2020, elementos estéticos que constroem esse mundo fantasioso que o diretor/roteirista pretendia nos mostrar.


E se com o que disse até aqui, você pode pensar que o filme menospreza a gravidade da história retratada, acredito que o humor negro e sarcástico fazem justamente o oposto, especialmente, quando nos momentos finais temos uma sobrecarga de emoções ao sermos confrontados com toda a atrocidade vivida.


Ao contrário da maioria dos filmes que foca nos horrores dos campos de concentração ou nas batalhas ao longo da guerra o filme trata do povo alemão. E ao falar do povo comum, do sofrimento vivido por todos, dos que se opuseram, e, principalmente, da mediocridade dos que não querem pensar e do papel da propaganda pautada em fake news para bestializar a grande massa, o filme nos trás aspectos riquíssimos e atuais.


Importante questionar que para quem acha absurdo que Jojo acredite em tudo que ele fala sobre os judeus, hoje, existem pessoas que acreditam que a terra é plana, mostrando o quão atual o filme realmente é.


Jojo Rabbit, um lindo filme, que ao contar uma história contada e recontada diversas vezes, inova pelo foco escolhido na composição geral de sua obra, sem sobra de dúvidas, em tempos de excesso de informações não filtradas e suas mazelas, merece ser assistido!


Beijos, Rafaela L.

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