CRÍTICA: Hollywood

Ryan Murphy tenta, de todas as formas, direcionar os holofotes para uma Hollywood ainda existente Que a constante mudança para a cidade de Hollywood em busca de realizar os sonhos era comum na Era do Ouro da indústria, todo mundo sabe, mas o que é pouco mencionado e reflexo de um pensamento ainda presente, são os preconceitos, abusos e dificuldades que muitos enfrentaram e, ainda enfrentam! A Mais nova série de Ryan Murphy, que tem o brilho de "Glee", a inteligência de "American Horror Story", a temática urgente como em "Pose", e um elemento que todas as suas séries possuem em comum: o otimismo! "Hollywood" é ambientada no final de 1940, e traz a podridão de uma indústria que ao mesmo tempo em que criava sonhos, os destruía. Misturando ficção com personagens e histórias reais, a perspectiva de Ryan Murphy é mostrar como as coisas poderiam ter sido caso não houvesse os preconceitos e assédios por boa parte dos figurões. A história nos é apresentada por meio de vários personagens, começando com o ex-veterano de guerra, Jack Castello (David Corenswet) - inspirado no reais Marlon Brando e Jimmy Stewart - que sonha em ser uma grande estrela de Hollywood, e acaba fazendo de tudo para ser contratado e estrelar em alguma produção dos Estúdios Ace, um dos mais importantes. Temos também a personagem Camille Washington (Laura Harrier), uma atriz excepcional negra que sempre é contratada para interpretar empregadas domésticas, se vê cansada desses estereótipos, e busca fazer sucesso! Aqui uma informação importante, Camille é baseada em Dorothy Dandrige, a primeira artista negra a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1954. Seguindo a apresentação de personagens, conhecemos Archie Coleman (Jeremy Pope), um roteirista negro e gay que busca, assim como os outros, sucesso. Archie e Jack traçam seus destinos ao do cafetão e dono de um posto de gasolina, Ernie West (Dylan McDermott), que de fato existiu, mas com o nome de Scotty Bowers, tinha um esquece de prostituição que atendia a elite de Hollywood. Mais um personagem importante: Rock Hudson, o perfeitinho da América que esconde a homossexualidade enquanto sonha, mais uma vez, em ter sucesso. Rock Hudson, na verdade, existiu e foi considerado um dos primeiros galãs do cinema entre as décadas de 1950 e 1960, teve que esconder sua homossexualidade para conseguir bons filmes e acabou morrendo de AIDS em outubro de 1985. Participou de filmes como “Sublime Obsessão” (1954) e “Confidências à Meia-Noite” (1959). Na série, o personagem Rock Hudson sofre de inúmeros abusos de seu agente, Henry Willson, interpretado por Jim Parsons. Seguindo a ideia de misturar ficção com realidade, Henry também é verdadeiro, um agente completamente abusivo que forçava seus clientes a fazerem atos sexuais em troca de papéis em filmes, além de ameaças psicológicas. Esse time de personagens, os atores e roteirista, possuem um objetivo maior, trazendo pela primeira vez uma mulher negra às telonas, no filme “Meg”. Essa série, mesmo com o otimismo de Murphy, é extremamente pertinente e traz como pauta o que vemos até hoje, afinal, o primeiro Oscar ganho por um homem negro na direção foi em 2014, por 12 anos de Escravidão e o primeiro roteirista negro a vencer foi Jordan Peele, por Corra! em 2018. Percebe? Como já era de se esperar, direção de arte, figurino e fotografia retratam muito bem a época escolhida. Vale dizer, também, que vemos um elenco jovem e ao mesmo tempo um elenco maduro, e são integrados pelo roteiro de forma excepcional. A série começa lenta, de certa forma… o que é um ponto positivo, visto que nos são apresentados vários personagens que, para criar vínculo com o espectador, é preciso ter cautela nos três primeiros episódios. O oposto acontece nos últimos 2 episódios, que nos deixa de queixo caído. Vale assistir e fazer uma reflexão com a Hollywood de hoje! Lembrando que está disponível na Netflix! :) Beijos, Patrícia L.

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